11/05/2017

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-presidente Lula foi questionado nesta quarta-feira (10) sobre a relação entre o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque.

Lula entrou em contradição. Primeiro, disse que não tinha conhecimento dos dois. Depois, admitiu que pediu a Vaccari que intermediasse um encontro com Duque.

Em Fevereiro de 2015, Vaccari confirmou à Polícia Federal a relação com Duque e disse ter encontrado com o ex-diretor da Petrobras em um hotel, algumas vezes, para conversas sociais.

Então tesoureiro, Vaccari havia sido conduzido coercitivamente pela PF pela primeira vez para esclarecer pontos revelados pela delação de Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras.

Barusco revelara que o PT tinha recebido entre 150 e 200 milhões de dólares entre 2003 e 2013.

Barusco, que havia sido gerente da área de Duque, acusou o ex-diretor de receber propina. E afirmou que Vaccari teve participação no recebimento do suborno.

Após ter sido levado a depor pela PF, Vaccari foi a Belo Horizonte participar de um encontro do PT, com a presença da cúpula do partido, a militância e do ex-presidente Lula e da então presidente Dilma.

A petistas, ele falou da relação com Duque. Vaccari leu o depoimento que havia prestado na véspera a colegas de partido e confirmou ter encontrado com Duque no hotel Windsor de Copacabana, no Rio, algumas vezes.

Foi Barusco quem relatou que Vaccari e Duque se encontravam no hotel Windsor e no hotel Melia, em Santos.

Vaccari, ao ser questionado por esta repórter naquele encontro do PT, confirmou ainda ter comparecido à festa de uma filha de Duque. Ele disse que era uma festa para 500 pessoas, coerente com o fato de ter mantido relações sociais com ele.

Questionei se ele era amigo de Duque, e o ex-tesoureiro disse: “Relações sociais não significam uma amizade próxima, como dizer que é amigo sugere”.

Sobre Barusco, Vaccari afirmou: ” O cara ficou lá 16 anos e só fala de mim, do PT?

Naquele mesmo encontro, a portas fechadas, o ex-presidente Lula defendeu Vaccari em reunião do Diretório Nacional do PT.

Lula dissera que quando um companheiro é atacado, na dúvida, fica com o “companheiro”.

Dois meses depois, Vaccari foi preso pela Lava Jato.

Em meio às negociações de delação premiada na Lava Jato, o PT monitora personagens ligados ao partido que foram presos.

Mas, diferentemente de Antonio Palocci e, mais recentemente Renato Duque, que acenam com um acordo de colaboração, Vaccari não dá sinais de que estaria disposto a falar.

Ele é tido como um “soldado do partido”, comparado com Delubio Soares, outro tesoureiro do PT que foi preso no mensalão mas também não delatou.

Um ano antes de ser preso, Vaccari me falou em entrevista o seguinte sobre o que pensava ser um mantra da posição de tesoureiro: “Tesoureiro famoso não dá certo, tem que atuar com discrição e firmeza”.

Redação: NBO
Edição: G. Gomes
Canal: www.deljipa.blogspot.com.br
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