28/06/2017

Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) 20/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

Um dia após a Procuradoria-Geral da República denunciar o presidente Michel Temer, o líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros (AL), afirmou na noite desta terça-feira que o "erro" do presidente foi achar que poderia governar o país influenciado pelo "presidiário" Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, e insinuou que o peemedebista não deve concluir o mandato.

"Ele (Temer) precisa entender que demorar mais um mês, dois meses, três meses, um ano à frente do governo, sem que, do ponto de vista institucional, nós possamos ganhar, fortalecer os Poderes, não significará nada. É uma resistência para o nada, porque o erro do presidente Temer foi achar que poderia governar o Brasil influenciado por um presidiário de Curitiba", disse Renan.

"Isso não ia chegar a lugar nenhum! Ainda mais com o presidiário recolhido ao cárcere em Curitiba e continuando a receber dinheiro, que é lamentavelmente o que hoje a realidade, a circunstância nos expõe", acrescentou Renan no plenário do Senado.

Renan rebateu o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), durante debate sobre a votação da reforma trabalhista prevista para ocorrer na quarta-feira. Para o líder do PMDB, a reforma proposta só penaliza a população e o melhor seria seguir o conselho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que defende a antecipação de eleições.

O Ministério Público Federal investiga se Temer, por intermédio do ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, teria concordado com o pagamento de propina para garantir o silêncio de Cunha.

FAZ DE CONTA

O líder do PMDB afirmou que o presidente "faz de conta" que governa o país e destacou que Temer não tem "legitimidade" para cobrar que os senadores não mexam no texto da reforma trabalhista.

"Vossa Excelência poderia convidar esta Casa para nós tratarmos do Brasil, se vamos ter saída ou não para o país ou se vamos continuar com essa gente aí fazendo de conta que está governando o Brasil? Governando para onde?", questionou Renan, após ter feito uma sugestão ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

O governo quer evitar mudanças no texto para evitar que ele volte à Câmara, e costura um acordo com a base aliada para editar futuramente uma medida provisória com as modificações que os senadores querem fazer à matéria.

Inicialmente, Renan disse que poderia trocar os nomes do partido que compõem a CCJ. O objetivo, embora não tenha declarado, era tentar derrotar o parecer da reforma trabalhista, relatada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O líder peemedebista afirmou que poderia deixar a liderança se era para apoiar essa reforma em discussão.

Em aparte, Jucá criticou a eventual troca de indicados da comissão por Renan e destacou que a reforma não é mais do presidente e sim do Congresso, por ser um texto atualmente muito melhor e mais abrangente.

"Não é verdade que estamos tirando direitos. A Constituição brasileira garante esses direitos", disse. "O discurso fácil, o discurso sofismado não resolve o problema dos brasileiros", completou, numa referência a Renan.

QUADRILHA

Minutos depois, Renan respondeu a uma provocação do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) quando ele o questionou sobre a conduta à frente da liderança do PMDB.

Garibaldi disse que o cargo de líder tem de ser conquistado e não imposto. O atual líder rebateu-o, dizendo que não era a primeira vez que o colega de partido falava aquilo.

Renan afirmou, sem se referir nominalmente ao ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves, primo de Garibaldi e preso no início do mês pela operação Lava Jato, que "um ex-presidente da Câmara" está sendo investigado por formar uma quadrilha. Aos gritos, Garibaldi pediu-lhe "respeito".

Esse último bate-boca fez com que Eunício Oliveira encerrasse à sessão desta terça-feira. Fora do microfone, Renan disse a Garibaldi que não o provocasse.

Fonte: Reuters
Por: Ricardo Brito
Post: G. Gomes
Para: www.deljipa.blogspot.com.br
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