O dólar fechou com forte alta nesta sexta-feira dia 5 de Junho de 2026 chegando nos R$5,17, após a divulgação de dados de emprego nos EUA (payroll) de Maio. O número de empregos criados nos EUA aumentou em 172 mil em maio, acima dos 85 mil esperados pelo consenso de mercado.
A moeda americana acumula ganhos de 2,27% frente ao real na primeira semana de junho, após avanço de 1,82% em maio. No ano, as perdas, que chegaram a superar 10% quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90 no início de maio, agora são de 6,04%. Embora tenha sofrido mais do que pares hoje, o real ainda apresenta, em 2026, um dos três melhores desempenhos entre as divisas mais líquidas, tanto de países desenvolvidos quanto emergentes.
O resultado forte reduz ainda mais as chances de um aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Segundo a ferramenta FedWatch da CME, os investidores esperam amplamente que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas em sua reunião deste mês.
“O ambiente de dólar mais forte está começando a se mostrar um obstáculo para o carry trade com o real”, afirma, em nota, o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, ressaltando que o panorama doméstico, com a melhora da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também pesa sobre a moeda brasileira.
Turner pondera que, se não houver uma disparada das taxas dos Treasuries e da moeda americana, o real tende a encontrar “um bom suporte”, uma vez que os juros locais ainda são elevados e o país mantém o status de exportador líquido de petróleo.Qual foi a cotação do dólar hoje?
O dólar à vista fechou esta sexta-feira (05) com alta de 1,76%, aos R$5,155 na venda. O dólar futuro para julho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – subia 1,96% na B3, aos R$5,191.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,153
- Venda: R$ 5,155
Movimentação ao longo do dia
Sem indicadores de peso na agenda doméstica ou novidades no front político, o dólar até ensaiou uma baixa na abertura, com a retomada dos negócios no mercado local, que estiveram fechados ontem em razão do Dia de Corpus Christi. O desempenho teve um revés a partir das 9h30, na esteira da divulgação do relatório de emprego (payroll) de maio.
O economista Paulo Gala, professor da FGV-SP, ressalta que os números do payroll tiveram impacto imediato no mercado local, levando o dólar para R$ 5,15, em um movimento que acentua a deterioração observada na última quarta-feira, “quando houve desmonte de posições em ativos brasileiros, com os juros longos disparando”.
“Com a inflação já acima de 3% em apenas quatro meses e expectativas para o ano acima de 5%, o Banco Central brasileiro vê seu espaço para cortar a Selic encolher, ainda mais diante de um dólar pressionado e de uma economia americana que, apesar dos sinais mistos, continua de pé”, afirma Gala, em relatório.
O que acontece com dólar?
As negociações de paz entre os EUA e o Irã estão em um impasse, e a retomada das hostilidades nesta semana manteve o preço do petróleo acima de US$ 90 o barril, aumentando os riscos para o crescimento global.
O Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano na quinta-feira, e Israel afirmou que não retirará suas tropas do país, minando os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper os combates ali e alcançar um acordo de paz com Teerã.
Enquanto isso, uma liquidação impulsionada pela IA após a fabricante de chips Broadcom divulgar resultados decepcionantes na quarta-feira continuava pelo segundo dia, à medida que investidores realizaram lucros após uma recente e intensa alta.
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Informações: Reuters e Estadão Conteúdo

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